Caso Mariana: perfis falsos usam fotos de jovem que morreu após receber ajuda para trocar pneu: 'Dói demais ver'

Segundo o namorado da jovem, perfil fake chegou até a adicionar a mãe da vítima nas redes sociais. Mariana Bazza morreu em setembro do ano passado, em Bariri (SP).

Por G1 14/02/2020 - 17:07 hs

Perfis falsos estão sendo criados nas redes sociais com as fotos da jovem Mariana Bazza, que foi assassinada em setembro de 2019 após receber ajuda de um homem para trocar o pneu do carro, em Bariri (SP).

Ao G1, o namorado da jovem, Jefferson Vianna, conta que atualmente todos da família estão denunciando o quinto perfil falso desde a morte de Mariana. O perfil, com o nome de 'Larissa Neta Rabelo', tem cinco amigos.

"Divulgamos nas redes sociais para que as pessoas nos ajudem a denunciar. Dói demais ver esse tipo de coisa. É como se tivesse uma ferida e cutucassem ainda mais", comenta.

Ainda segundo Jefferson, esta não é a primeira vez que um perfil falso da jovem é criado. Cada perfil utilizou um nome, alguns com abreviações do nome dela, como Mari Bazza ou Mary Bazza, mas todos com fotos dela.

"Pela quinta vez estão fazendo esta maldade. O primeiro perfil foi criado em outubro, logo depois que a Mariana morreu, e desde então, criam um atrás do outro. É horrível", comenta.
Jefferson ainda revela que, para não angustiar familiares e amigos, denunciava o perfil antes mesmo que alguém pudesse ver.

"Antes, o perfil era derrubado e eu não chegava a comentar com ninguém sobre isso. Mas este perfil está persistindo e nos atormentando. Um outro perfil já chegou a adicionar a mãe da Mariana, isso é um absurdo", conta.

Desde então, família e amigos tem pedido ajuda nas redes sociais para a denúncia do perfil.

"Estou vivendo a base de remédios e terapia. Estamos todos perdidos ainda. Se eu pudesse falar algo para a pessoa que faz esse tipo de coisa, pediria para apagar e que parasse de nos machucar assim e respeitasse a nossa dor, pois não está fácil", explica.

Andamento do processo
A universitária Mariana Bazza, de 19 anos, foi encontrada morta em Bariri (SP) dia 25 de setembro. O suspeito do crime, Rodrigo Pereira Alves, foi indiciado pelos crimes de latrocínio, ocultação de cadáver e estupro.
A primeira audiência de instrução do caso foi realizada no dia 11 de janeiro no prédio da 2ª Vara da Comarca de Bariri. Somente as testemunhas de acusação foram ouvidas nessa primeira etapa do julgamento.

O pai de Mariana foi autorizado a participar da audiência porque ele foi arrolado como testemunha por ter conversado com a filha minutos antes do crime. Ele passou mal e precisou ser atendido por uma profissional de saúde.

Além dele, também foi ouvida a amiga de Mariana, Heloisa Passarelli, que esteve com a vítima no dia do crime e presenciou a abordagem do acusado.

Segundo a promotora Gabriela Silva Gonçalves Salvador, responsável pela acusação, neste primeiro movimento processual a Justiça só colheu a prova oral. Ainda faltam laudos que fazem parte do inquérito policial, como o resultado do exame de DNA que pode comprovar a autoria no crime de estupro.

Além do pai e da amiga da vítima, também foram ouvidos os policiais civis e militares envolvidos no caso, o dono da chácara onde o réu trabalhava quando abordou Mariana e um casal vizinho da propriedade.

Rodrigo Pereira Alves, de 37 anos, acusado de ser o autor dos crimes de latrocínio, estupro e ocultação de cadáver chegou ao Fórum de Bariri com 25 minutos de atraso em uma ambulância. Houve revolta de parentes da vítima na chegada do réu.

Segundo os policiais que faziam acompanhamento, o sistema penitenciário optou por esse transporte porque era único disponível, já que não seria possível utilizar o caminhão para o transporte de um único preso.

Ele deixou a penitenciária de Serra Azul, onde está preso após ser ter sido transferido da penitenciária de Iaras no dia 15 de novembro, para participar da audiência. Ele não foi ouvido nessa primeira audiência e somente acompanhou os depoimentos.

O advogado Evandro Demétrio foi designado por sorteio para ser o defensor do acusado. O sorteio faz parte de um convênio entre a Defensoria Pública e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

O caso segue em segredo de Justiça e detalhes sobre os depoimentos colhidos nesta quarta-feira não foram divulgados. Na saída da audiência, houve confusão, alguns familiares da vítima tentaram impedir a saída do réu e a Polícia Militar precisou intervir. Uma nova audiência deve ser marcada após os resultados de exames de DNA que fazem parte das investigações do caso.

Entenda o caso
Mariana desapareceu ao sair da academia onde frequentava, em Bariri, no dia 24 de setembro, ao receber ajuda de Rodrigo Pereira Alves para trocar o pneu do carro. Ela foi encontrada morta um dia depois em uma área de canavial em Ibitinga (SP).
Rodrigo foi preso em Itápolis (SP) e foi denunciado pelo Ministério Público por estupro, latrocínio e ocultação de cadáver. A denúncia foi aceita pela Justiça no dia 10 de outubro.

De acordo com a denúncia do MP, Rodrigo roubou o carro, a carteira da vítima com documentos pessoais, R$ 110 em dinheiro, o celular dela e uma caixa de som. Ele também foi acusado de estupro e ocultação de cadáver, por isso pode ter a pena aumentada durante o processo.

Ainda de acordo com a denúncia, Rodrigo saiu da chácara para calibrar o pneu com o corpo de Mariana dentro do carro. O laudo necroscópico do IML de Araraquara apontou que a vítima foi estuprada e morta na chácara onde o acusado trabalhava como pintor.

Ainda de acordo com o MP, Rodrigo é multirreincidente, pois já cumpriu pena de 16 anos por roubo, sequestro, extorsão e latrocínio tentado, e havia saído da cadeia cerca de 30 dias antes do crime. Ele está preso desde o dia 25 de setembro.