Gestantes temem riscos à gravidez pela falta de medicamento que previne trombose em Marília

Grávidas diagnosticadas com trombofilia, doença que pode causar até abortos, reclamam do sumiço da Enoxoparina da farmácia de alto custo da cidade. Medicamento estaria sendo usado no tratamento da Covid. o que prejudicou a oferta em nível nacional.

Por TV Tem 04/08/2021 - 11:54 hs

As gestantes de Marília (SP) que têm diagnóstico de trombofilia reclamam das falhas na distribuição de um medicamento considerado essencial no tratamento da doença, que pode causar até abortos.

Segundo a maquiadora Bruna Gabriela Pedro Hikita, que se aproxima do sexto mês de gravidez e tem trombofilia, ela só descobriu que a Enoxoparina, um anticoagulante injetável, estava em falta na cidade depois que ela conseguiu o direito de receber de graça o medicamento de alto custo, mas não conseguiu retirá-lo.

Ao tentar buscar as doses referentes a abril na Farmácia de Dispensação de Medicamentos Excepcionais de Marília, a maquiadora recebeu a explicação de que a substância, por estar sendo usada para o tratamento da Covid-19, está em falta em todo o país.

"Ligo toda semana para saber se chegou e nunca tem, só dizem que está em falta, que é para continuar ligando, mas que não tem previsão de chegar”, diz a maquiadora, que afirma já ter gasto cerca de R$ 7 mil para comprar o medicamento em farmácias.

Segundo a médica ginecologista e obstetra Andrea Tanuri, a interrupção no tratamento com Enoxoparina representa um grande risco, tanto para as gestantes com trombofilia, como para os bebês que elas esperam.

“Isso [falta do medicamento] aumenta o risco de intercorrências, como a formação de trombos, que são os coágulos, que podem levar a casos como trombose de membros inferiores, embolia pulmonar, além de abortos, perdas gestacionais e partos prematuros. A paciente não pode interromper o tratamento”, diz a médica.

Consultada, a Secretaria de Estado da Saúde informou que a Enoxoparina tem sido enviado de forma irregular pelo Ministério da Saúde e que, das 475 mil doses solicitadas no segundo semestre, nenhum foi entregue.

Já o Ministério da Saúde informou em nota que faz a distribuição da Enoxoparina a partir da demanda informada pelos estados. A pasta disse ainda que, por causa do aumento do consumo pelo SUS, aumentou os esforços para garantir o insumo. Ainda segundo a pasta, um novo pregão foi realizado e a previsão é que novas entregas comecem a partir deste mês.