Estudantes usam tecnologia para aumentar produção no campo e evitar perdas nas lavouras

Por G1 Bauru e Marília 29/05/2017 - 08:04 hs

Estudantes da Faculdade de Tecnologia de Pompeia (SP) estão transformando a agricultura em um grande campo tecnológico. Eles já conseguem usar ferramentas como drones, aplicativos e até redes sociais para aumentar a produção e evitar perdas nas lavouras. O curso de Big Data é o primeiro da América Latina.

Uma fazenda com oito hectares de milho dentro da faculdade tem boa parte do cultivo feito do alto, com drones. Os alunos monitoram a produção sem a necessidade de percorrer toda a área plantada. Então, o trabalho que em solo duraria pelo menos uma semana, é feito em meia hora.

“Com o drone a gente consegue ter uma visão macro. É muito interessante, a gente tem uma noção de área plantada, consegue estimar números de plantas, ver falha de plantio, talvez a gente consiga até acompanhar o crescimento da planta", explica o estudante Renan Zulian Ferreira.

O equipamento é guiado com a ajuda de tablets. As imagens do drone são gravadas e é impressionante a quantidade de dados coletados pelas imagens aéreas. "É através do programa que a gente consegue ver por cima a plantação e detectar algumas regiões de falha", diz o estudante Luiz Alberto Hiroshi Horita.

Foi com esses equipamentos que os alunos descobriram no meio da plantação uma praga, a corda de viola - uma planta que tira nutrientes da lavoura e ainda libera uma toxina que atrapalha o desenvolvimento do milho.

"A infestação causou um problema na produtividade do milho, que não conseguiu se desenvolver devido a planta. Se a gente conseguisse fazer essa captação no pré-plantio, a gente poderia fazer uma aplicação em loco podendo economizar herbicida", acredita o estudante Flávio Henrique Leiva.


Atrativo para jovens

Nesse curso, a enxada foi substituída pelos aparelhos eletrônicos, um atrativo para os mais jovens. “Esse curso foi desenhado para essa geração. É um curso totalmente focado em aquisição de dados em redes sociais, em outras tecnologias que eles estão habituados. Então, eles usam smartphones, tablets, acesso a drones e todas as tecnologias do dia a dia deles", conta o professor da faculdade, Allan Siriani.

O programador Fernando Silva Maransatto apostou tudo nessa profissão. Largou o trabalho em São Paulo e se mudou para o interior para cursar a faculdade. O agronegócio para ele é a carreira do futuro.

"Eu vim com a minha família para cá porque a gente viu um mar de oportunidades no agronegócio. E o que me chamou mais atenção é a metodologia de ensino que é diferente do tradicional. A gente trabalha direto com o proprietário, com problemas reais e não só tirando fotos com drones. O nosso objetivo é revolucionar o agronegócio no Brasil”, afirma.

Além de drones, eles já trabalham desenvolvendo aplicativos no computador e no celular que interligam vários serviços em uma propriedade rural. "Hoje em uma fazenda são gerados inúmeros dados de colheita, semeadura, todos os dados de produtividade e esses dados são essenciais para o agricultor na tomada de decisão, só que falta um artefato tecnológico. Ele não consegue tratar o volume de dados que são gerados. O grande objetivo desse curso é conectar todas essas áreas”, explica o professor Allan.

Até os pequenos produtores podem se beneficiar com os avanços tecnológicos do campo. O cafeicultor José Wilson Lopes tem 22 hectares de café plantados em Garça e com o estudo da lavoura conseguiu dobrar a produtividade. De 20 sacas por hectare, agora ele colhe 40.

"O laboratório de análise é o principal parceiro para mim por exemplo para que eu possa saber o que minhas plantas precisam e o que que eu posso oferecer a elas e dessa forma realmente a gente consegue ter uma produção boa", afirma.