PoderData/Aya mostra Flávio Bolsonaro a um ponto de Lula em eventual 2º turno
Senador cresce dois pontos e chega a 45% das intenções de voto, enquanto presidente aparece com 46%; diferença está dentro da margem de erro e configura empate técnico na disputa pela Presidência
A corrida presidencial de 2026 ganhou um novo elemento de competitividade nesta quinta-feira (13). Pesquisa PoderData/Aya mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 46% das intenções de voto contra 45% do senador Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno. A diferença de apenas um ponto percentual está dentro da margem de erro de dois pontos, configurando empate técnico entre os dois principais nomes do cenário eleitoral.
O resultado representa um avanço para Flávio Bolsonaro. Na rodada anterior, realizada no fim de julho, o senador aparecia com 43% contra 46% de Lula. Agora, Flávio cresceu dois pontos, enquanto o percentual do presidente permaneceu estável. O movimento reduz a vantagem numérica de Lula e coloca os dois candidatos praticamente no mesmo patamar na simulação de segundo turno.
A pesquisa foi realizada entre os dias 9 e 12 de agosto e ouviu 2.400 pessoas em 658 municípios das 27 unidades da Federação. As entrevistas foram feitas por telefone, utilizando linhas fixas e celulares, por meio do sistema URA, em que os participantes respondem às perguntas gravadas utilizando o teclado do aparelho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-06868/2026.
Flávio reduz diferença e fortalece disputa
O principal destaque do levantamento é justamente a evolução de Flávio no confronto direto com Lula. O senador avançou dois pontos percentuais em apenas 15 dias, enquanto o presidente manteve os mesmos 46% registrados anteriormente.
Na prática, considerando a margem de erro, os números indicam uma disputa aberta. Lula pode ter entre 44% e 48%, enquanto Flávio pode variar entre 43% e 47%. Por isso, estatisticamente, não é possível afirmar que um dos dois esteja isoladamente à frente nesse cenário.
O resultado também reforça a posição de Flávio como principal nome da oposição no levantamento. No primeiro turno, o senador aparece novamente na segunda colocação, com 35%, atrás de Lula, que registra 41%. Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) aparecem com 4% cada, enquanto Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante) têm 3% cada. Outros candidatos somam 1% cada.
O levantamento registra ainda 4% de eleitores que pretendem votar em branco ou anular o voto e 2% que não souberam responder.
Cenário favorece estratégia de Flávio
O crescimento de Flávio no segundo turno ocorre em um momento de intensa movimentação dentro de sua campanha. O senador vem buscando consolidar sua candidatura e ampliar a unidade do grupo político ligado ao bolsonarismo.
Nos últimos dias, a campanha também conseguiu reduzir duas fontes de incerteza que vinham sendo acompanhadas no ambiente político: as divergências públicas entre Flávio e Michelle Bolsonaro e a definição do nome que ocupará a vice-presidência na chapa.
A própria Michelle voltou a aparecer ao lado do candidato em atividades de campanha e declarou que não guarda mágoas das divergências anteriores. O movimento contribui para transmitir uma imagem de maior unidade no entorno da candidatura de Flávio.
A pesquisa, portanto, surge em um momento no qual o candidato do PL procura transformar a força consolidada do eleitorado bolsonarista em crescimento entre segmentos que ainda não estão totalmente definidos.
Flávio tem desempenho forte em Sul e Centro-Oeste
Os recortes regionais e demográficos também ajudam a entender a evolução da candidatura.
Segundo o levantamento, Flávio Bolsonaro apresenta seus melhores índices no Centro-Oeste e no Sul, com 53% em cada uma dessas regiões no cenário de primeiro turno. O senador também chega a 50% entre os eleitores que possuem ensino superior.
Lula, por sua vez, mantém vantagem entre as mulheres, com 50% contra 41% de Flávio, além de apresentar desempenho mais forte no Nordeste, onde registra 53%, e entre eleitores com escolaridade até o ensino médio, grupo no qual chega a 48%.
Os números mostram que a disputa continua marcada por diferenças regionais e sociais importantes. Para Flávio, ampliar seu desempenho fora das regiões onde possui maior força será fundamental para transformar o empate técnico em vantagem eleitoral.
Rejeição é desafio para os dois candidatos
Outro dado divulgado pelo PoderData/Aya nesta quinta-feira mostra que Lula e Flávio Bolsonaro apresentam exatamente o mesmo índice de rejeição: 48% dos entrevistados afirmam que não votariam “de jeito nenhum” em nenhum dos dois candidatos.
O dado coloca um desafio semelhante para as duas campanhas. Ao mesmo tempo em que possuem bases eleitorais consolidadas, ambos precisam conquistar eleitores que ainda apresentam resistência aos seus nomes.
No caso de Lula, 38% afirmam que o petista é o único candidato em quem votariam, enquanto outros 11% dizem que poderiam votar nele. Para Flávio, 33% apontam o senador como a única opção de voto e 15% afirmam que poderiam votar nele.
A pesquisa também aponta que 18% dos brasileiros afirmam já ter escolhido um candidato principalmente por rejeitarem os demais nomes da disputa. Esse grupo pode ganhar importância durante a campanha, especialmente em uma eleição marcada pela polarização entre os principais concorrentes.
Eleição segue aberta
Embora Lula permaneça numericamente à frente nos cenários apresentados pelo levantamento, a aproximação de Flávio no segundo turno representa um sinal de competitividade para a campanha do PL.
A série histórica do PoderData/Aya mostra que a diferença entre os dois permanece dentro da margem de erro desde maio. Em maio, Lula tinha 46% contra 42% de Flávio. Em junho, os números eram de 46% para o presidente e 43% para o senador. Agora, o cenário chega a 46% a 45%.
A evolução indica que, embora Lula ainda apareça numericamente à frente, Flávio vem reduzindo a distância no confronto direto. O resultado de agosto é, até agora, o cenário mais próximo registrado pelo levantamento entre os dois.
Para a campanha de Flávio Bolsonaro, o dado reforça a aposta de que a disputa pode ser decidida em uma eleição bastante apertada. O senador ainda precisa crescer no primeiro turno para chegar ao segundo com maior força, mas os números mostram que, em um eventual confronto direto, a diferença para Lula já está dentro da margem de erro.
Para Lula, o desafio é ampliar a vantagem e impedir que o crescimento do adversário se transforme em uma tendência mais consistente ao longo das próximas pesquisas.
Com a eleição se aproximando, cada ponto percentual passa a ganhar importância. O levantamento desta quinta-feira mostra que, pelo menos neste momento, a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro está longe de estar definida e apresenta um cenário de equilíbrio no segundo turno.
A pesquisa não representa uma previsão do resultado eleitoral, mas registra a fotografia das intenções de voto no período em que as entrevistas foram realizadas. Com a campanha avançando e os candidatos ampliando sua exposição, novos debates, alianças, acontecimentos políticos e desempenho nas ruas poderão alterar o cenário até a votação.
Por enquanto, o principal recado do PoderData/Aya é direto: Lula ainda aparece numericamente à frente, mas Flávio Bolsonaro encostou e está a apenas um ponto percentual do presidente, dentro de uma disputa tecnicamente empatada.





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