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Justiça do Rio absolve todos os 11 réus pelo incêndio no Ninho do Urubu que matou dez jovens da base do Flamengo


Justiça do Rio absolve todos os 11 réus pelo incêndio no Ninho do Urubu que matou dez jovens da base do Flamengo

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro absolveu nesta terça-feira (21) todos os 11 réus acusados de envolvimento no incêndio que matou dez adolescentes da base do Flamengo em 2019, no centro de treinamento Ninho do Urubu, em Vargem Grande, zona oeste do Rio. Outros três jovens ficaram feridos na tragédia.

A decisão, assinada pelo juiz Tiago Fernandes de Barros, da 36ª Vara Criminal da Capital, considerou o inquérito da Polícia Civil inconclusivo e afirmou que não há provas suficientes para sustentar a condenação.

Segundo o magistrado, não foi possível estabelecer um nexo causal seguro entre as condutas dos acusados e o início do incêndio. Entre os réus estavam o ex-presidente do clube Eduardo Bandeira de Mello, ex-diretores do Flamengo e representantes de empresas prestadoras de serviço. Sete foram absolvidos nesta terça, e outros quatro já haviam sido absolvidos anteriormente.

O juiz ressaltou que nenhum dos acusados tinha responsabilidade direta pela manutenção elétrica ou segurança dos alojamentos e criticou a denúncia do Ministério Público, classificada como “abrangente e genérica”.

Barros destacou ainda que “a constatação não elimina a tragédia dos fatos, mas reafirma que o Direito Penal não pode converter complexidade sistêmica em culpa individual”.

A defesa de uma das empresas elogiou a decisão, dizendo que o MP construiu uma “acusação de retrovisor”, baseada em narrativa sem sustentação técnica.

O incêndio, ocorrido em 8 de fevereiro de 2019, começou em um ar-condicionado que funcionava continuamente e se espalhou rapidamente devido ao material inflamável dos contêineres usados como alojamento.

O local não tinha alvará de funcionamento. Dez jovens morreram — Athila Paixão (14), Arthur Vinícius (14), Bernardo Pisetta (14), Christian Esmério (15), Gedson Santos (14), Jorge Eduardo Santos (15), Pablo Henrique (14), Rykelmo de Souza (16), Samuel Thomas Rosa (15) e Vitor Isaías (15) — e três ficaram feridos. Familiares das vítimas consideraram a decisão injusta e devem recorrer.




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