Mercado financeiro eleva previsão da inflação para 4,91% em 2026
Pressão nos combustíveis e alimentos mantém IPCA acima da meta estabelecida pelo Banco Central
Por Portal NC
11/05/2026 - 17h05
A previsão do mercado financeiro para a inflação oficial do Brasil voltou a subir e chegou a 4,91% em 2026, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (11) pelo Banco Central do Brasil por meio do Boletim Focus.
A nova estimativa representa a nona alta consecutiva nas projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador considerado a principal referência da inflação no país. Na semana anterior, a expectativa era de 4,89%.
O avanço mantém a projeção acima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, que prevê inflação de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Com isso, o limite máximo permitido é de 4,5%.
Entre os fatores apontados pelo mercado para a pressão inflacionária estão o aumento nos preços dos combustíveis e alimentos, reflexos das tensões geopolíticas envolvendo a guerra no Oriente Médio.
Os números mais recentes divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que o IPCA de março ficou em 0,88%, acima do registrado em fevereiro, quando a inflação mensal havia sido de 0,7%. No acumulado de 12 meses, o índice chegou a 4,14%.
Apesar da pressão inflacionária no curto prazo, as projeções para os próximos anos permanecem mais estáveis. Para 2027, o mercado estima inflação de 4%, enquanto para 2028 e 2029 as previsões são de 3,64% e 3,5%, respectivamente.
Selic segue elevada
Para tentar controlar a inflação, o Banco Central utiliza como principal ferramenta a taxa básica de juros, a Selic. Atualmente, ela está fixada em 14,5% ao ano, após redução de 0,25 ponto percentual definida na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).
Mesmo com o recente corte, os juros seguem em um dos maiores níveis dos últimos anos. Entre junho de 2025 e março deste ano, a Selic permaneceu em 15% ao ano, patamar considerado elevado para conter o avanço dos preços.
Segundo o Banco Central, o cenário internacional continua sendo acompanhado de perto, principalmente devido aos impactos que um eventual prolongamento dos conflitos internacionais pode provocar nos preços globais de energia e alimentos.
O mercado financeiro projeta que a Selic encerre 2026 em 13% ao ano. Para 2027, a expectativa é de queda para 11,25%, chegando a 10% nos anos seguintes.
Economia e dólar
O Boletim Focus também manteve em 1,85% a previsão de crescimento da economia brasileira neste ano. Para 2027, a expectativa do mercado é de expansão de 1,76% do Produto Interno Bruto (PIB).
Já a projeção para o dólar ao final de 2026 permaneceu em R$ 5,20.
Em 2025, a economia brasileira registrou crescimento de 2,3%, segundo o IBGE, impulsionada principalmente pelo desempenho da agropecuária e do setor de serviços.
O cenário atual, porém, mantém investidores e consumidores atentos aos próximos movimentos da inflação e dos juros, fatores que influenciam diretamente o crédito, o consumo e o ritmo da atividade econômica no país.





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