Desabamento de prédio na Penha deixa seis mortos e termina com buscas encerradas
Bombeiros localizaram a última vítima neste domingo (13); Polícia Civil investiga irregularidades na obra e três pessoas ligadas à construtora tiveram prisão temporária decretada
O desabamento de um prédio em construção na Penha, Zona Leste de São Paulo, terminou com seis pessoas mortas e duas sobreviventes. A ocorrência aconteceu por volta das 2h do sábado (12), quando a estrutura, localizada na Rua Tequici, desabou sobre um imóvel vizinho onde estavam moradores e funcionava uma oficina de costura.
As buscas foram encerradas na tarde de domingo (13), depois que o Corpo de Bombeiros localizou a última vítima que ainda estava sob os escombros. Entre os mortos está uma menina de 7 anos. Um homem e outra criança foram retirados com vida e receberam atendimento médico.
De acordo com informações divulgadas pelas autoridades, as oito pessoas atingidas pelo desabamento eram estrangeiras: sete bolivianas e uma paraguaia. A residência atingida abrigava uma família de imigrantes bolivianos, que também mantinha uma oficina de costura no local. Os corpos devem ser encaminhados para os países de origem das vítimas para os sepultamentos.
Obra é investigada por possíveis irregularidades
A Polícia Civil abriu investigação para esclarecer as circunstâncias do desabamento e verificar eventuais responsabilidades. A construção já havia sido alvo de medidas administrativas e judiciais por problemas relacionados à regularidade da obra.
Segundo informações apuradas pelas autoridades, havia uma determinação anterior para a demolição de uma estrutura existente no terreno. Um novo projeto teria sido aprovado posteriormente, mas os investigadores apuram se a demolição realmente ocorreu e se a construção que desabou seguiu o que havia sido autorizado.
A Prefeitura de São Paulo também abriu uma apuração na Controladoria-Geral do Município para verificar os procedimentos de fiscalização relacionados ao imóvel. Uma servidora que havia atestado anteriormente a realização da demolição foi afastada, enquanto documentos, autorizações e registros da obra deverão ser analisados.
Três pessoas são alvo de prisão temporária
O caso também avançou na esfera criminal. A Justiça decretou a prisão temporária de três pessoas ligadas à construtora apontada como responsável pela obra.
Um dos investigados, Ronaldo Vivacqua, apontado pela Polícia Civil como possível sócio oculto da empresa, foi preso no domingo (13) e levado ao 24º Distrito Policial, onde prestou depoimento.
Também são alvos dos mandados o engenheiro Cristiano Vivacqua, apontado como responsável técnico pela obra, e Isis Brandão, que aparece formalmente como proprietária da construtora. Os dois não haviam sido localizados e eram considerados foragidos.
A investigação deverá analisar documentos da empresa, licenças, autorizações, histórico de fiscalização e as condições estruturais do imóvel. A perícia será fundamental para determinar as causas técnicas do colapso e esclarecer se houve relação entre eventuais irregularidades e a queda da estrutura.
Local passa por perícia
Com o encerramento das buscas e a retirada de todas as vítimas, a área passou a ficar sob responsabilidade das autoridades responsáveis pela perícia e pelos procedimentos de investigação.
A operação de resgate mobilizou mais de 70 bombeiros e militares, além de viaturas, cão farejador e equipamentos utilizados para movimentar partes maiores dos escombros. O trabalho ocorreu de forma contínua desde a madrugada de sábado.
Atualização – segunda-feira (14): até o momento, o balanço permanece em seis mortes e dois sobreviventes. A investigação sobre as condições da obra e as possíveis responsabilidades continua em andamento, enquanto as autoridades analisam os documentos e os elementos técnicos recolhidos no local.





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