Estudo da Unicamp alerta que efeito sanfona piora saúde metabólica de mulheres
Pesquisa aponta maior acúmulo de gordura corporal, pior perfil cardiometabólico e menor atividade da gordura marrom após ciclos repetidos de emagrecimento e reganho de peso
Mulheres que passam por sucessivas tentativas de emagrecimento seguidas de recuperação do peso, o chamado efeito sanfona, podem sofrer impactos negativos importantes na saúde metabólica. É o que aponta um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que identificou piora nos indicadores cardiometabólicos e redução da atividade da gordura marrom — tecido responsável por ajudar o organismo a gastar energia.
A pesquisa acompanhou 121 mulheres entre 20 e 41 anos, com diferentes índices de massa corporal (IMC). As participantes foram divididas entre aquelas sem histórico de oscilações frequentes de peso e as que relataram pelo menos três episódios de perda intencional seguidos de reganho não planejado nos últimos anos.
De acordo com os pesquisadores, o grupo que apresentou o chamado “efeito sanfona” acumulou mais gordura corporal, principalmente gordura visceral — associada a maior risco de doenças cardiovasculares e diabetes — além de apresentar piores taxas de glicemia, colesterol e pressão arterial.
Outro achado importante foi a menor atividade da gordura marrom (BAT, na sigla em inglês), um tipo de tecido que, ao contrário da gordura branca, ajuda a queimar glicose e lipídios para produzir calor e aumentar o gasto energético. Essa gordura tem sido alvo de estudos por seu potencial papel no controle do metabolismo.
Para avaliar essa atividade, as voluntárias foram submetidas a um protocolo de exposição ao frio controlado, condição que estimula o funcionamento do tecido marrom. Exames de termografia identificaram menor resposta metabólica nas mulheres com histórico de oscilações frequentes de peso.
Apesar da associação inicial, os pesquisadores destacam que o problema não está apenas na variação do peso, mas no acúmulo progressivo de gordura ao longo do tempo. Segundo o estudo, a cada dieta restritiva, o organismo tende a reduzir o gasto energético e, no reganho, repõe principalmente gordura, e não massa muscular.
Na prática, isso pode tornar o metabolismo menos eficiente e aumentar o risco de doenças crônicas.
Os especialistas reforçam que estratégias de emagrecimento devem priorizar mudanças sustentáveis, com foco na melhora da composição corporal, preservação da massa muscular, alimentação equilibrada e atividade física regular, evitando ciclos repetidos de perda e ganho de peso.
O estudo foi conduzido por pesquisadores do Laboratório de Investigação em Metabolismo e Diabetes da Unicamp, com apoio da Fapesp, e publicado em revista científica internacional.







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