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Acadêmicos de Niterói: a escola que homenageou Lula no Carnaval do Rio e acabou rebaixada em 2026


Acadêmicos de Niterói: a escola que homenageou Lula no Carnaval do Rio e acabou rebaixada em 2026

No Carnaval do Rio de Janeiro de 2026, uma das escolas de samba mais comentadas não foi pelo brilho das suas alegorias ou por uma vitória histórica — mas sim por uma mistura de política, cultura e polêmica que terminou com o rebaixamento da agremiação no Grupo Especial. A Acadêmicos de Niterói voltou à Série Ouro após ficar em último lugar na apuração dos quesitos técnicos, em um desfecho que tem repercutido intensamente nas redes sociais, na política e no meio cultural.

Uma homenagem inédita: enredo político no Sambódromo
Desde antes do desfile no domingo (15 de fevereiro), a escolha do enredo já chamava atenção. Com o título “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, a escola apresentou uma homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, retratando sua trajetória desde a infância no Nordeste até sua ascensão à Presidência da República.

Segundo relatos internacionais, o desfile contou com elementos criativos marcantes, incluindo uma evocação visual da trajetória pessoal de Lula — desde suas origens humildes até a conquista política — e um grande destaque para seu papel histórico. Essa foi a primeira vez em que um presidente brasileiro em exercício foi homenageado dessa forma no Carnaval carioca, o que por si só já era motivo de debates antes mesmo da apuração.




Repercussão e polêmica nas redes e na política
A decisão da Acadêmicos de Niterói de fazer uma homenagem a Lula gerou reações imediatas. Críticas vieram tanto de setores políticos quanto de grupos sociais conservadores que consideraram a apresentação uma forma de propaganda antecipada, já que o país se aproxima de eleições presidenciais previstas para outubro de 2026. Juízes eleitorais e oposição questionaram se o desfile poderia configurar utilização indevida de espaço cultural e artístico para fins eleitorais — acusações que a escola e seus defensores refutaram.

Repercutindo nas redes sociais, declarações como a do senador Flávio Bolsonaro, criticando a homenagem e comemorando o rebaixamento da escola, chegaram a viralizar. Bolsonaro chegou a afirmar em postagens que “Lula é sempre uma ideia ruim” e que o próximo rebaixamento seria “do Lula e do PT”, usando a queda da Acadêmicos de Niterói como exemplo político.

Além disso, segmentos como a Frente Parlamentar Evangélica e católica anunciaram iniciativas de representação contra a escola, alegando “desrespeito” e possíveis ofensas simbólicas durante o desfile que, segundo eles, ridicularizaram valores religiosos e familiares.



Uma apresentação criticada e notas baixas
Apesar da forte presença temática, a Acadêmicos de Niterói não conseguiu agradar os jurados técnicos. A escola recebeu notas baixas em todos os quesitos, inclusive ficando sem notas 10 em nenhuma das categorias avaliadas pela Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa). Ao final da apuração, a agremiação somou 264,6 pontos, ficando na 12ª e última colocação do Grupo Especial, o que determinou seu rebaixamento para a Série Ouro em 2027.

Segundo analistas ouvidos por veículos de imprensa, a escola apresentou problemas técnicos, como falhas na dispersão de carros alegóricos, que geraram multas (como no caso de R$ 80 mil aplicados pela Liesa), mas que acabaram não acarretando perda de pontos — apesar de refletirem em um desempenho geral abaixo do esperado.

A própria crítica especializada apontou que o desfile, apesar de ambicioso em sua proposta política e narrativa, foi marcado por execução inconsistentes, fantasias consideradas menos impactantes e um samba-enredo que, segundo alguns críticos, não se destacou musicalmente entre os concorrentes mais fortes daquela noite.



Contexto esportivo e cultural do resultado
O Carnaval carioca de 2026 reforçou a competitividade crescente entre escolas de samba tradicionais e agremiações emergentes. A Unidos do Viradouro conquistou o título de campeã com 270 pontos, enquanto escolas como Beija-Flor de Nilópolis e Unidos de Vila Isabel ficaram logo atrás no pódio.

Essa competitividade fez com que a Acadêmicos de Niterói, mesmo com um tema audacioso e fora do convencional, enfrentasse dificuldades adicionais para se destacar em quesitos como harmonia, evolução e bateria — todos fundamentais para a permanência no Grupo Especial. Segundo especialistas, escola que sobe de divisão muitas vezes encontra barreiras estruturais e de recursos que dificultam sua adaptação às exigências da elite do samba carioca.

Polarização entre arte e política
A situação da Acadêmicos de Niterói trouxe à tona um debate mais amplo sobre a polarização entre cultura e política no Brasil. O Carnaval, tradicionalmente visto como expressão cultural de diversidade, crítica social e festa popular, tem cada vez mais refletido tensões políticas contemporâneas — e isso ficou evidente neste desfile em particular.

Para muitos críticos culturais, a decisão de homenagear uma figura política em plena campanha eleitoral — ainda que não de forma declaradamente partidária — colocou a escola em uma posição delicada, que pode ter influenciado subjetivamente a forma como jurados e público reagiram ao conjunto da obra. Para outros, no entanto, essa fusão de política e arte é parte intrínseca do carnaval, que sempre teatralizou personagens históricos e temas sociais.

O amanhã da Acadêmicos de Niterói
Com o rebaixamento, a Acadêmicos de Niterói terá um ano inteiro para se reorganizar na Série Ouro, buscando não apenas voltar à elite do samba carioca, mas também refletir sobre as decisões artísticas e estratégicas que marcaram sua participação neste Carnaval de 2026.

A agremiação, que subiu ao Grupo Especial em 2025 após conquistar o acesso, agora enfrenta o desafio de planejar o seu futuro em um cenário onde arte, gestão e política cultural caminham lado a lado.







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