Quem são os brasileiros sancionados por Trump por suposta ligação com o PCC
Governo dos Estados Unidos anunciou sanções contra dois brasileiros e quatro empresas por suspeita de participação em um esquema internacional de lavagem de dinheiro ligado à facção criminosa
O governo dos Estados Unidos, por meio do Departamento do Tesouro, anunciou nesta quarta-feira (1º) a aplicação de sanções contra dois brasileiros e quatro empresas suspeitos de integrar uma rede de lavagem de dinheiro associada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A medida faz parte da política da administração do presidente Donald Trump de ampliar o combate a organizações criminosas transnacionais, após classificar recentemente o PCC como organização terrorista estrangeira.
As sanções bloqueiam eventuais bens e ativos que os investigados possuam nos Estados Unidos ou que estejam sob controle de cidadãos ou empresas norte-americanas. Além disso, pessoas e empresas dos EUA ficam proibidas de realizar negócios com os alvos da medida.
Quem são os brasileiros sancionados
Os dois brasileiros incluídos na lista de sanções são:
• Victor Henrique de Oliveira Shimada
• Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira
Segundo o Departamento do Tesouro, Shimada seria o principal responsável pelo núcleo da organização em São Paulo, atuando como elo entre operadores do PCC no Brasil e integrantes da rede nos Estados Unidos. Já Stella, apontada como parente e colaboradora próxima de Shimada, teria desempenhado funções administrativas e logísticas, auxiliando na movimentação de recursos em espécie.
Empresas também foram incluídas
Além das pessoas físicas, três empresas brasileiras e uma empresa portuguesa passaram a integrar a lista de sanções:
• Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda.
• Pixwave Soluções de Pagamento
• Wave Construções Inteligentes
• Avenidas Flutuantes Unipessoal, com sede em Portugal.
De acordo com as autoridades norte-americanas, as empresas seriam controladas direta ou indiretamente por Shimada e utilizadas para ocultar e movimentar recursos provenientes do tráfico internacional de drogas.
Esquema teria movimentado mais de US$ 30 milhões
A investigação conduzida pelas autoridades dos Estados Unidos aponta que a organização teria lavado mais de US$ 30 milhões obtidos com o tráfico de drogas em diversas cidades norte-americanas.
Segundo o Departamento do Tesouro, os recursos eram convertidos em criptomoedas e posteriormente enviados ao Brasil, onde abasteciam financeiramente atividades atribuídas ao PCC. A operação teria como principais bases os estados da Flórida, nos Estados Unidos, e São Paulo, no Brasil.
Prisões nos Estados Unidos antecederam as sanções
As sanções anunciadas nesta quarta-feira são um desdobramento de uma investigação iniciada pelas autoridades americanas. Em janeiro deste ano, o FBI prendeu seis integrantes da célula da organização que atuava na Flórida, todos acusados de lavagem de dinheiro perante a Justiça Federal dos Estados Unidos.
Agora, o foco das medidas foi direcionado ao grupo apontado como responsável pelas operações financeiras sediadas em São Paulo.
Medidas não produzem efeito automático no Brasil
Especialistas em direito internacional destacam que as sanções impostas pelos Estados Unidos têm efeito imediato dentro do sistema financeiro norte-americano, mas não geram consequências jurídicas automáticas no Brasil.
Eventuais responsabilizações criminais dependerão de investigações conduzidas pelas autoridades brasileiras e da aplicação da legislação nacional. No entanto, bancos e empresas que mantêm relações com o sistema financeiro dos Estados Unidos tendem a tratar os sancionados como clientes de alto risco, o que pode dificultar operações comerciais e financeiras internacionais.
PCC na mira do governo Trump
A decisão faz parte da estratégia do governo Donald Trump de endurecer o combate a organizações criminosas da América Latina. No fim de maio, os Estados Unidos classificaram o PCC e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras, ampliando os instrumentos legais para aplicação de sanções econômicas e financeiras contra integrantes e colaboradores desses grupos.
Com a nova medida, as autoridades americanas sinalizam que pretendem ampliar o cerco financeiro a pessoas e empresas suspeitas de colaborar com organizações criminosas que atuam além das fronteiras brasileiras.





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