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Rescisão paga em bananas deu origem a empresa que projeta faturar R$ 70 milhões em 2026

Banfruty nasceu em uma situação inesperada e, três décadas depois, distribui até 500 toneladas de bananas por semana para mais de 500 pontos de venda em São Paulo.


Rescisão paga em bananas deu origem a empresa que projeta faturar R$ 70 milhões em 2026

Uma dívida trabalhista transformada em bananas acabou se tornando o ponto de partida de uma empresa que atualmente movimenta centenas de toneladas de frutas por semana e projeta alcançar R$ 70 milhões em faturamento em 2026.

A história é da Banfruty, distribuidora de frutas fundada em 1996 e sediada em Caieiras, na Grande São Paulo. A empresa completa 30 anos neste ano e mantém uma administração que reúne integrantes das duas gerações da família fundadora.

Antes de criar o próprio negócio, os pais de Diego Oliveira trabalhavam em uma pequena distribuidora de frutas que enfrentava dificuldades financeiras e problemas entre os sócios. Quando foram desligados, surgiu uma solução pouco convencional para o pagamento da rescisão: como o antigo proprietário também produzia bananas, o valor foi quitado em mercadorias.

As frutas recebidas, aliadas à experiência adquirida no setor e à carteira de contatos construída pelos então funcionários, serviram como capital inicial para a criação da Banfruty.

Desde então, a empresa passou por cinco centros de distribuição até chegar à atual estrutura, inaugurada há cerca de dois anos na divisa com a capital paulista.

De especialista em bananas a distribuidora de frutas
Durante quase três décadas, a Banfruty concentrou sua operação exclusivamente em bananas. O portfólio contemplava cinco variedades: nanica, maçã, terra, prata e ouro.

A estratégia começou a mudar nos últimos dois anos. A empresa passou a distribuir também mamão formosa, manga, melancia, abacaxi e maracujá. Em 2026, outra categoria entrou no negócio: ovos.

A companhia também criou produtos próprios para ampliar o consumo da fruta. Entre eles estão a banana chips da marca Nanikinha e uma linha voltada ao público infantil, chamada banana kids, que utiliza uma embalagem com a mascote Nico e uma fita para colorir.

A proposta, segundo a empresa, é aproximar as crianças da fruta in natura em um mercado no qual produtos ultraprocessados têm forte presença.

Operação movimenta até 500 toneladas por semana
Atualmente, a Banfruty comercializa entre 400 e 500 toneladas de bananas por semana e está presente em mais de 500 pontos de venda no Estado de São Paulo.

A distribuição ainda não alcança algumas regiões do interior paulista, como Ribeirão Preto, São José do Rio Preto e Barretos, devido à distância em relação ao centro de distribuição.

Para garantir o abastecimento durante diferentes períodos de safra, a empresa combina produção própria, mantida no Vale do Ribeira, em Registro, com fornecedores parceiros de diferentes regiões brasileiras.

O modelo permite compensar variações de produção entre os estados e manter o fornecimento aos clientes ao longo do ano.

Exportação está no radar
Apesar do tamanho da operação, a Banfruty ainda não trabalha com exportação. A principal dificuldade está na logística da banana, fruta com vida útil relativamente curta e que exige cuidados específicos no transporte.

A empresa avalia, porém, uma possível operação aérea para atender consumidores brasileiros e comunidades latino-americanas nos Estados Unidos, especialmente em cidades como Miami e Nova York, onde existe demanda por variedades como a banana prata.

A possibilidade ainda está em estudo e depende da viabilidade logística e comercial.

Aproveitamento reduz desperdício
Outro aspecto da operação está relacionado ao aproveitamento das frutas que não apresentam o padrão visual normalmente exigido pelos supermercados.

Bananas com pequenas irregularidades, marcas ou alterações na aparência, mas que continuam próprias para consumo, podem ser destinadas à produção de banana chips.

Já frutas que retornam dos estabelecimentos comerciais em estágio avançado de maturação, dentro das condições previstas nos contratos com os clientes, são aproveitadas na fabricação de doces.

A estratégia reduz perdas e transforma parte dos produtos que teriam menor valor comercial em novas fontes de receita.

Atuação dentro dos supermercados
A empresa também investe em ações diretamente nos pontos de venda, utilizando degustações e exposições diferenciadas para estimular o consumo de variedades que possuem menor giro.

Um dos exemplos é a banana da terra. Outra variedade trabalhada pela distribuidora é a banana ouro, menos comum na Grande São Paulo, mas com presença maior no litoral norte paulista.

A Banfruty também passou a manter uma operação no Ceagesp. Segundo a empresa, a presença no entreposto tem importância estratégica para acompanhar preços, oferta e comportamento do mercado de frutas que ainda estão ganhando espaço no portfólio.

A trajetória mostra como um negócio que começou a partir de uma rescisão paga em bananas conseguiu transformar uma situação adversa em oportunidade empresarial. Trinta anos depois, a Banfruty busca ampliar sua atuação para além da banana e alcançar uma nova marca de faturamento em 2026.




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