PIB do Brasil cresce 0,5% no 2º trimestre e fica entre os cinco maiores avanços do mundo
Resultado coloca o país à frente de Estados Unidos e China em ranking com 50 economias, mas desaceleração acende alerta para o restante de 2026
A economia brasileira cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, na comparação com os três primeiros meses do ano, e alcançou a quinta maior taxa de expansão entre 50 países e economias analisados em um levantamento da Austin Rating. O desempenho colocou o Brasil à frente de grandes economias, como Estados Unidos e China, mas também mostrou uma perda significativa de ritmo em relação ao início do ano.
O resultado foi divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na terça-feira (1º) e ficou acima da expectativa média do mercado, que projetava crescimento de 0,4% no período. No primeiro trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) havia avançado 1,1%, o que significa que a economia continuou crescendo, porém em velocidade menor.
O levantamento da Austin Rating considera a variação do PIB de um trimestre para o imediatamente anterior e reúne 50 economias que já haviam divulgado seus resultados para o segundo trimestre.
No topo da lista aparece a Irlanda, com crescimento de 1%. A Indonésia ficou em segundo lugar, com 0,9%, seguida por Angola, com 0,7%, e Malásia, com 0,6%. O Brasil aparece logo depois, com alta de 0,5%.
Na sequência estão Eslovênia, Lituânia, Suécia, Estados Unidos, Sérvia e Suíça, todos com avanço de 0,4% no período. A China aparece com 0,2% no ranking utilizado pela Austin Rating.
Brasil supera média internacional
Apesar da desaceleração, o resultado brasileiro ficou acima da média das 50 economias avaliadas, de 0,2%. Também superou a média da Zona do Euro, de 0,1%, e ficou acima do desempenho agregado das economias que integram o G7.
Nos Estados Unidos, o crescimento trimestral foi de 0,4%, enquanto Alemanha, França e Itália registraram expansão de 0,2%. O desempenho brasileiro, portanto, foi superior ao de algumas das principais economias desenvolvidas no período.
O dado, porém, precisa ser interpretado com cautela. Um crescimento maior em determinado trimestre não significa necessariamente que uma economia esteja em situação melhor ou que tenha um PIB maior. O ranking mede apenas a variação da atividade econômica entre dois trimestres consecutivos.
Agropecuária foi principal destaque
A composição do resultado brasileiro ajuda a explicar o desempenho. A agropecuária apresentou crescimento de 2,8% no segundo trimestre, favorecida principalmente pelo avanço da produção agrícola, com destaque para culturas como soja e café.
A indústria teve comportamento mais moderado. As indústrias extrativas cresceram 3,4%, enquanto segmentos importantes da indústria de transformação e da construção apresentaram dificuldades. No conjunto, a indústria avançou apenas 0,1%.
O setor de serviços, responsável pela maior parcela da atividade econômica brasileira, cresceu 0,2% no trimestre. Entre os segmentos que contribuíram para o resultado positivo estão atividades ligadas à informação e comunicação e ao transporte.
Consumo das famílias recua
Um dos pontos de atenção dos números divulgados pelo IBGE está no comportamento das famílias.
O consumo das famílias caiu 0,4% entre o primeiro e o segundo trimestre. Foi a primeira retração nessa comparação em três trimestres e representa um sinal de perda de força da demanda interna.
O cenário ocorre em um ambiente de juros ainda elevados. A taxa Selic está em 14% ao ano, o que encarece o crédito e dificulta decisões de consumo e investimento para empresas e famílias.
Ao mesmo tempo, os investimentos cresceram 1,2% no trimestre, enquanto os gastos do governo aumentaram 0,4%. As exportações recuaram 0,8%, e as importações avançaram 1,8%.
PIB chega a R$ 3,4 trilhões
Em valores correntes, o PIB brasileiro alcançou aproximadamente R$ 3,4 trilhões no segundo trimestre de 2026. Desse total, cerca de R$ 2,9 trilhões correspondem ao valor adicionado pelos setores produtivos e R$ 487,9 bilhões aos impostos líquidos de subsídios.
Na comparação com o segundo trimestre de 2025, a economia brasileira cresceu 2%. Considerando os quatro trimestres encerrados em junho, a expansão foi de aproximadamente 1,9%. O resultado mantém uma sequência de crescimento da economia brasileira, embora com sinais mais claros de desaceleração.
Desempenho chama atenção para o segundo semestre
O principal desafio agora é saber se o crescimento poderá ser sustentado nos próximos trimestres.
O resultado de 0,5% foi positivo e superou as previsões do mercado, mas ficou muito abaixo dos 1,1% registrados entre janeiro e março. A combinação de juros elevados, menor consumo das famílias, endividamento e perda de força de algumas atividades produtivas aumenta a possibilidade de uma expansão mais fraca no segundo semestre.
Antes da divulgação dos números oficiais, o Ministério da Fazenda trabalhava com uma projeção de crescimento de 2,3% para a economia brasileira em 2026. O próprio governo, entretanto, já vinha acompanhando uma possível desaceleração da atividade ao longo do ano.
A análise mais recente do Ministério da Fazenda destaca justamente a perda de ritmo após o forte desempenho do primeiro trimestre. O órgão publicou em 1º de setembro uma nota específica sobre o segundo trimestre, classificando o período como uma desaceleração após o avanço registrado no início do ano.
Brasil também ganha posições entre as maiores economias
Além da taxa de crescimento, o levantamento da Austin Rating traz outro dado relevante: considerando o tamanho nominal das economias, o Brasil aparece atualmente na décima posição entre as maiores economias do mundo, com PIB estimado em cerca de US$ 2,64 trilhões.
O país estava na 11ª posição em 2025 e avançou uma colocação em 2026. A estimativa apresentada pela agência é de que o Brasil possa superar a Rússia e chegar ao nono lugar em 2027.
Os Estados Unidos permanecem na liderança, com PIB estimado em US$ 32,38 trilhões, seguidos pela China, com US$ 20,85 trilhões.
O avanço brasileiro no ranking de crescimento, portanto, é uma notícia positiva, especialmente por ocorrer em um cenário internacional de crescimento moderado. Ao mesmo tempo, os números internos mostram que a economia enfrenta uma fase de menor impulso.
O dado mais importante para os próximos meses será justamente a capacidade de manter a atividade crescendo sem depender exclusivamente do desempenho da agropecuária e das indústrias extrativas. Com o consumo das famílias recuando e o custo do dinheiro ainda elevado, o segundo semestre deverá indicar se a desaceleração observada no segundo trimestre será apenas temporária ou o início de um período de crescimento mais fraco.
Ranking dos 20 maiores crescimentos do PIB no 2º trimestre de 2026:
Irlanda — 1,0%
Indonésia — 0,9%
Angola — 0,7%
Malásia — 0,6%
Brasil — 0,5%
Eslovênia — 0,4%
Lituânia — 0,4%
Suécia — 0,4%
Estados Unidos — 0,4%
Sérvia — 0,4%
Suíça — 0,4%
Singapura — 0,3%
México — 0,3%
Tunísia — 0,3%
Taiwan — 0,3%
Colômbia — 0,3%
Turquia — 0,3%
Polônia — 0,2%
China — 0,2%
Canadá — 0,2%
Fonte: Austin Rating, com dados de organismos oficiais e instituições internacionais; dados do PIB brasileiro: IBGE.





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