Câmara de Ourinhos cassa prefeito Guilherme Gonçalves por 13 votos a 2
Julgamento durou quase 11 horas e terminou na madrugada desta quinta-feira (3); decisão ocorreu após Comissão Processante apurar denúncias relacionadas à gestão da Saúde
A Câmara Municipal de Ourinhos cassou o mandato do prefeito afastado Guilherme Andrew Gonçalves da Silva por 13 votos a 2, após uma sessão de julgamento que começou na tarde de quarta-feira (2) e avançou pela madrugada desta quinta-feira (3). O resultado encerra o mandato político de Guilherme no âmbito do Legislativo municipal.
Para a cassação, eram necessários pelo menos 10 votos favoráveis entre os 15 vereadores que integram a Câmara. A votação nominal terminou com ampla maioria pela perda do mandato.
Votaram contra a cassação os vereadores João Gonçalves, irmão do prefeito afastado, e Santiago. Pela cassação, votaram Cícero Investigador, Anísio Felicetti, Borjão, Celinho Cabeleireiro, Éder Mota, Enfermeiro Alexandre, Furna Beco da Bola, Gil Carvalho, Kita, Marcinho, Raquel Spada, Vadinho e Wesley Carlos.
O julgamento foi resultado dos trabalhos de uma Comissão Processante instaurada para analisar denúncias envolvendo a administração municipal, principalmente na área da Saúde. Entre os pontos avaliados estavam questões relacionadas à ABEDESC, contratos da UPA 24 Horas e do PA Cohab, além de apontamentos envolvendo o SAMU e manifestações do Conselho Municipal de Saúde.
Durante a tramitação do processo, a defesa de Guilherme contestou as acusações e também questionou aspectos relacionados à condução da Comissão Processante. Na véspera do julgamento, uma nova tentativa de suspender a sessão foi rejeitada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, mantendo o procedimento em andamento.
O prefeito afastado não esteve presente no plenário durante o julgamento. O advogado Joel de Matos Pereira acompanhou parte dos trabalhos, mas deixou a Câmara antes da etapa final. A ausência de Guilherme não impediu a continuidade da sessão nem a realização da votação nominal.
Guilherme já estava afastado do cargo por decisão judicial em um processo independente da Comissão Processante. A cassação aprovada pela Câmara representa, portanto, um novo desdobramento da crise política enfrentada pela administração municipal.
A defesa informou que pretende recorrer à Justiça. O Judiciário poderá analisar eventuais questionamentos relacionados à legalidade do procedimento, mas a decisão política tomada pelo Legislativo ocorreu após o encerramento da votação na Câmara.
A cassação também não encerra automaticamente outros processos, investigações ou ações judiciais que eventualmente envolvam o ex-prefeito ou a administração municipal. Cada procedimento possui tramitação própria e será analisado pelo órgão competente.
A sessão, que teve início por volta das 14h de quarta-feira, se estendeu por aproximadamente 11 horas até a conclusão da votação durante a madrugada. O longo julgamento colocou a situação política de Guilherme Gonçalves no centro das atenções em Ourinhos e terminou com a decisão da maioria dos vereadores pela perda do mandato.





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